Chorona, chorona, faz tudo devagar com
o coração aos pulos.
Remorso, remorso mudez, remorso de correr, correr,
correr para se esconder,
chorona.
Pra quê adianta
guardar esta carne rosada,
macia de desejo, dentro das tuas noites ocultas?
Qual é o sentido,
chorona,
em arder em silêncio, em perfumar
teus cabelos,
se teus homens
os constroi distantes?
Ninguém vê teus olhos aguados,
teus pulsos moles,
sua embriaguez cometida
como crimes em goles.
O que você quer, chorona?
Domingo, Novembro 01, 2009
Sábado, Outubro 31, 2009
engrenagem
O tempo foi embora
sem nós. Todo escorregadio de sexta-feira,
foi embora deixando
o corpo entreaberto,
e o meu coração, relógio quebrado,
ficou depois, estúpido,
marcando a mesma hora
em cada passo meu que os dias seguintes
puderam sentir.
sem nós. Todo escorregadio de sexta-feira,
foi embora deixando
o corpo entreaberto,
e o meu coração, relógio quebrado,
ficou depois, estúpido,
marcando a mesma hora
em cada passo meu que os dias seguintes
puderam sentir.
Quarta-feira, Outubro 28, 2009
Terça-feira, Setembro 29, 2009
bloqueio criativo
Palavras me esperam, me afogam,
contornam meu pescoço,
mas não saem.
Ficam tremendo na ponta
dos dedos -
brincando-
mas não caem.
Verbos e adjetivos,
pedidos mansos,
loucos,
ficam adiando
proclamas,
tudo se cala.
Mudez criativa,
olho pra janela,
e ela, vesga
e risonha,
não se abala.
contornam meu pescoço,
mas não saem.
Ficam tremendo na ponta
dos dedos -
brincando-
mas não caem.
Verbos e adjetivos,
pedidos mansos,
loucos,
ficam adiando
proclamas,
tudo se cala.
Mudez criativa,
olho pra janela,
e ela, vesga
e risonha,
não se abala.
Quinta-feira, Setembro 17, 2009
pela tangente
Ficar escondida
no avesso do meu desejo
só me permitiu a visão
do teu distante
cotovelo.
luz branca da carne tua,
meu fogo interno,
nada adianta esta fúria
pequenina e afogada
na garganta,
quando se é covarde
como eu.
Fui embora deixando
você
no conforto do
desconhecimento-
e eu, tive de lidar
com as mãos cheias de
consciência.
Volto ou não volto?
recomeço ou reconheço?
Não me escondo de ninguém,
na verdade.
Eu apenas estou fugindo
da possibilidade de mim.
no avesso do meu desejo
só me permitiu a visão
do teu distante
cotovelo.
luz branca da carne tua,
meu fogo interno,
nada adianta esta fúria
pequenina e afogada
na garganta,
quando se é covarde
como eu.
Fui embora deixando
você
no conforto do
desconhecimento-
e eu, tive de lidar
com as mãos cheias de
consciência.
Volto ou não volto?
recomeço ou reconheço?
Não me escondo de ninguém,
na verdade.
Eu apenas estou fugindo
da possibilidade de mim.
Sábado, Setembro 12, 2009
armstício
É vidro tão frágil este
perseguir delicado!
Que guerra terrível,
estar escondido
e desesperado para ser visto!
estar por detrás da escada,
morrendo em silêncio,
desejando por tua
presença ser ferido!
que tremor! lampejo
de olhos castanhos, frêmito
e rubor,
você me reconhece
e me atinge, triunfante.
Entrego-te os mapas, estou vencido.
sou escarlate flutuante
diante de ti.
perseguir delicado!
Que guerra terrível,
estar escondido
e desesperado para ser visto!
estar por detrás da escada,
morrendo em silêncio,
desejando por tua
presença ser ferido!
que tremor! lampejo
de olhos castanhos, frêmito
e rubor,
você me reconhece
e me atinge, triunfante.
Entrego-te os mapas, estou vencido.
sou escarlate flutuante
diante de ti.
Quinta-feira, Setembro 10, 2009
sangue entre estantes
Por entre as ripas de madeira
e as encadernações alinhavadas,
ainda tão mudas de tão novas,
escuto o sangue. Vermelho escondido,
ainda tão calmo de tão cotidiano,
ainda tão veludo por não ser ainda febre,
ainda convertido no olho marrom profundo
que me contorna por detrás da estante.
O sangue que me encontra, ainda tão sereno
por estar tão distante,
ainda tão severo por ser tão pouco viajante,
ainda rubi violáceo, carmim oculto,
metodicamente movendo a carne do
coração.
Rosa tola, a minha, pétala ansiosa,
sangue trêmulo ao decifrar
o trajeto dos teus gestos,
a sonhar com os nós de teus dedos,
a dormir banhada em mistérios
escarlates.
e as encadernações alinhavadas,
ainda tão mudas de tão novas,
escuto o sangue. Vermelho escondido,
ainda tão calmo de tão cotidiano,
ainda tão veludo por não ser ainda febre,
ainda convertido no olho marrom profundo
que me contorna por detrás da estante.
O sangue que me encontra, ainda tão sereno
por estar tão distante,
ainda tão severo por ser tão pouco viajante,
ainda rubi violáceo, carmim oculto,
metodicamente movendo a carne do
coração.
Rosa tola, a minha, pétala ansiosa,
sangue trêmulo ao decifrar
o trajeto dos teus gestos,
a sonhar com os nós de teus dedos,
a dormir banhada em mistérios
escarlates.
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