Quinta-feira, Dezembro 24, 2009

possibilidade

Existe uma pequena possibilidade, existe uma onda, um frêmito,
um leve jorro de sangue que mergulha até o calcanhar,
persiste,
existe a hora ímpar pendurada nos galhos,
irrompe,
súbita,
tão pouca glória no seu anônimo devir.
Existe uma pequena possibilidade de morte, existe um
risonho fio de vida
ao norte,
entre eu e você, entre nossos hormônios
há sorte,
existe e resiste, e insiste,
há quem se importe?

Domingo, Novembro 01, 2009

chorona

Chorona, chorona, faz tudo devagar com
o coração aos pulos.
Remorso, remorso mudez, remorso de correr, correr,
correr para se esconder,
chorona.
Pra quê adianta
guardar esta carne rosada,
macia de desejo, dentro das tuas noites ocultas?
Qual é o sentido,
chorona,
em arder em silêncio, em perfumar
teus cabelos,
se teus homens
os constroi distantes?
Ninguém vê teus olhos aguados,
teus pulsos moles,
sua embriaguez cometida
como crimes em goles.
O que você quer, chorona?

Sábado, Outubro 31, 2009

engrenagem

O tempo foi embora
sem nós. Todo escorregadio de sexta-feira,
foi embora deixando
o corpo entreaberto,
e o meu coração, relógio quebrado,
ficou depois, estúpido,
marcando a mesma hora
em cada passo meu que os dias seguintes
puderam sentir.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Norman Rockwell


Este é incrivel!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

mais cartazes futuristas











Gente! Estou sumida deste blog, mas é por um bom motivo: o centenário do Futurismo está, finalmente acontecendo aqui no Brasil.




Mas os cartazes que estão roubando a cena são os estrangeiros, mesmo. Aqui vão mais alguns.

Terça-feira, Setembro 29, 2009

bloqueio criativo

Palavras me esperam, me afogam,
contornam meu pescoço,
mas não saem.
Ficam tremendo na ponta
dos dedos -
brincando-
mas não caem.
Verbos e adjetivos,
pedidos mansos,
loucos,
ficam adiando
proclamas,
tudo se cala.
Mudez criativa,
olho pra janela,
e ela, vesga
e risonha,
não se abala.

Quinta-feira, Setembro 17, 2009

pela tangente

Ficar escondida
no avesso do meu desejo
só me permitiu a visão
do teu distante
cotovelo.
luz branca da carne tua,
meu fogo interno,
nada adianta esta fúria
pequenina e afogada
na garganta,
quando se é covarde
como eu.
Fui embora deixando
você
no conforto do
desconhecimento-
e eu, tive de lidar
com as mãos cheias de
consciência.
Volto ou não volto?
recomeço ou reconheço?
Não me escondo de ninguém,
na verdade.
Eu apenas estou fugindo
da possibilidade de mim.

Sábado, Setembro 12, 2009

armstício

É vidro tão frágil este
perseguir delicado!
Que guerra terrível,
estar escondido
e desesperado para ser visto!
estar por detrás da escada,
morrendo em silêncio,
desejando por tua
presença ser ferido!
que tremor! lampejo
de olhos castanhos, frêmito
e rubor,
você me reconhece
e me atinge, triunfante.
Entrego-te os mapas, estou vencido.
sou escarlate flutuante
diante de ti.